O que é ser forte.

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Naquela manhã disseram-lhe que ela era forte e iria ultrapassar aquela fase. Aí ela parou para pensar e percebeu que no fundo ela nem sabe ao certo o que é ser forte. De facto, o que é?
As pessoas dizem que ser forte é sorrir quando estamos em pedaços. Aguentar tudo de boca fechada. Ignorar quando vemos algo que nos magoa. Manter-se erguido quando os nossos sonhos desmoronam. Fingir que nao sentimos falta de alguém que nos abandonou. Mas não, isso não é ser forte. Isso é ser de ferro e de ferro ninguém é.
As pessoas disseram-lhe que se ela caiu, devia apenas levantar-se e seguir em frente. Novamente, ela questionou-se: como posso levantar-me e seguir em frente se esta queda deixou-me partida e eu nem consigo caminhar?
Ela estava sozinha e não conseguia ser forte. A toda a hora e de todas as formas tentava perceber aqueles textos que começavam a narrar histórias de amor e acabavam com "ela seguiu em frente sorrindo e ele perdeu". Era estúpido para ela ler aquilo e finalmente ela tinha percebido o porquê. A questão é que nesses histórias de amor, "ela" não seguia sorriso e "ele" não perdeu. Ambos choraram. Ambos perderam. Ambos, um dia mais tarde, arrependeram-se. Se ela o perdeu, ele perdeu-a também. Aí ela percebeu que tudo aquilo era apenas uma história de alguém que provavelmente nunca tinha passado por nada assim, pois quando sentimos a dor, os textos não serão assim. Os textos serão baseados na história de amor que havia acabado e na dor que se instalara. Os textos seriam todos sobre ele, do princípio ao fim.
Após todos estes pensamentos passarem pela sua cabeça, numa fracção de segundos, ela percebeu que ser forte é muito mais do que ignorar, sorrir e fingir que estar bem. Ser forte é não deixar-se abater com qualquer coisa. É esperar mesmo que se queira muito, pois tudo tem o seu tempo para acontecer. Ser forte é, na verdade, saber tudo isto e mesmo assim recomeçar depois de cada vez que fraquejamos.
Ela decidiu que mais nenhuma luta iria enfraquecê-la. Nenhum quotidiano seria pesado a ponto de esmagá-la e mais nenhuma carga iria baixar a sua cabeça. Ela decidiu ser diferente. Ser um pouco mais ela e se ela não conseguir, ela terá de ser na mesma.
Depois gritou alto. Gritou muito mais alto do que esperava. Tudo aquilo havia ficado preso na garganta já ha algum tempo. Recompôs-se e saiu dali como se nada fosse. Pouco tempo depois lembrou-se e consentiu, deveria ter gritado mais alto. Desejou ter gritado mais alto. Desejou gritar tão alto até quebrar todos os vidros e fazer todos se curvarem. É que ela percebeu que que se ela nao aprender impor-se e a colocar a sua coroa, acabará por perder o seu trono.
Hoje ela sabe como é ser forte. Sabe limpar as lágrimas e sorrir. Ela sabe que o melhor está por vir. Ela sabe cuidar do seu trono.

I'm br(ok)en.

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Eu sempre me importei demasiado com as outras pessoas. Tinha imenso medo de magoar alguém. De trair a confiança dessa pessoa ou desiludí-la fosse com o que fosse. Por vezes questiono me: porque é que essas pessoas não sentem o mesmo medo por mim?
Ando por aqui como uma noite sem lua ou um mar sem ondas. Uma ou outra cicatriz no pulso, lágrimas nos olhos e um enorme sorriso no rosto. Sim, um sorriso. Um sorriso falso que eu aprendi a esboçar, obrigada pelas circunstâncias da vida ou pelas atitudes monstruosas vindas de pessoas que amei de verdade. Mas neste momento não dá. Não dá para dizer que está tudo bem nem muito menos que está dentro dos possíveis. Está tudo mal, está tudo péssimo. Eu morri por dentro. Eu perdi a confiança. Perdi a confiança em mim, nela, nele, em tudo. Eu perdi-me.


Maldita escolha acertada.

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Durante algum tempo pensei na escolha que fiz. Disse "sim" para um lado e "não" para outro. O sofrimento haveria de chegar. Nenhum "não" é fácil de pronunciar quando a vontade é de gritar "sim, fica".
É tão mau não ouvir notícias tuas. Não saber onde ou com quem estás. Não receber o teu sms de boa noite nem de bom dia. Não poder ajudar-te e nem sequer saber se precisas de ajuda ou não. É tão mau. O meu problema é que eu, de uma forma ou de outra, fico à espera demais de ti. Espero que faças aquilo que nunca farás. Estes sentimentos não possuem a mínima explicação, mas eu quero insistir em escrever esta carta, na esperança que ela chegue até ti e que percebas que sinto mesmo a tua falta. Todas estas palavras não passarão de letras soltas, jogadas ao vento num mero desabafo meu. Na noite passada saí à rua e olhando as estrelas no céu tentei encontrei em alguma delas a razão pela qual eu tinha te conhecido e o porquê deste bem danado que me fazes. Que estúpido da minha parte! Argumentos incorretos da tua parte e aquele maldito "adeus" sem explicação deixaram-me, de um certo ponto, despedaçada. Vou desenhando estas letras, uma a uma, no meio de linhas tortas, imperfeitas e inexatas  pois no fundo, aquele pouco tempo deu-nos um bom bocado para contar. Não entendo como deixei que tudo isto acontecesse. Eu e tu? Não sei. Sentir tudo isto é estranho e mais estranho ainda é tu teres-me abandonado quando prometeste que não me deixarias e que aquele seria o nosso grande segredo.


Eu não perco as esperanças, espero que não as percas também. Muitas coisas acontecem no último minuto.