Eu acreditei. E agora?

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E só o tempo pode ajudar. Sim, é verdade, o tempo ajuda.
Seguimos os nossos dias de forma completamente normal. Rotina. Hábitos. Tudo igual e repetitivo. Relembramos o passado, o peito ferve, os olhos enchem de água, o coração fica apertadinho, os lábios tremem; mas tudo segue como dita a rotina. O tempo não volta nem nós voltamos no tempo.
Juramos a pés juntos que não haverá outro, que chega de sofrer e que acreditar novamente é o pior que podemos fazer. Recusamos tantos pedidos e desperdiçamos tantas oportunidades.
É aqui que o tempo entra em cena e encarrega-se de brincar connosco. Sem esperarmos ele mostra-nos que superamos, que estamos prontos para uma nova etapa e que afinal acreditar outra vez não só é possível como está realmente a acontecer.
Aparece alguém que dá-nos a mão na confusão da nossa vida. Arruma toda as incertezas e faz limpezas até no nosso coração. Aparece uma só pessoa e muda todos os planos, todas as novas crenças e esperanças, todos os sorrisos. Parece que tudo volta a ser cor de rosa e temos o mundo nas nossas mãos. Senti-mo-nos seguras, confiantes e especiais. Até que...


O nosso mundo volta a desabar! Toda a segurança foge, a confiança escorre-nos por entre os dedos, o sentimento de que éramos especiais afinal não passou de uma ilusão tão bonita e, o pior, é que essa pessoa que causou todo o distúrbio não está lá mais para nós.
Nunca estamos preparados para enfrentar tudo a dar errado mais uma vez. Coração partido, mais uma vez. Planos desfeitos, mais uma vez. Sorriso forçado, mais uma vez. Corpo vazio, mais uma vez. Tudo mais uma vez.
Entramos de cabeça. Tentamos crer que aquela pessoa respeita-nos e não fará exatamente aquilo de que temos tanto medo, mas nada passa de histórias feitas na nossa cabeça, porque sabemos que no fim é só o fim e esse é igual. Nada nos resta senão pôr em causa a profundidade de todos os nossos sentimentos e a nossa própria estabilidade.
E depois tudo recomeça. Toda uma nova luta.
E só o tempo pode ajudar. Sim, é verdade, o tempo ajuda.

Surpresa: a última carta.

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Senti saudades. Aquela saudade de "nós", sabes!? Queria surpreender-te. Talvez fugir daqui e ir ver-te, ficar contigo e perder-me nos teus braços. Depois acabei por arranjar outra forma de surpreender-te: escrever. Mas escrever-te pela última vez. Deixar-te aqui a última carta.
Será a última, mesmo que me custe, mesmo que chore muito, mesmo que depois me arrependa; será a última.


Antes de tudo, peço desculpa se alguma vez te fiz mal. Desculpa se sempre senti imensos (e destaco: imensos!) ciúmes, mesmo que nunca te tenha dito. Desculpa pelas tantas vezes que comecei a discutir sem nexos ou que chateei-me sem tu o mereceres.
A verdade é que guardo muitas dores dentro de mim. Não te estou a culpar por estas dores, mas acho que quando se ama o suposto é darmos ao próximo o nosso melhor e transmitir felicidade, por isso é que eu não percebo a razão de estas dores existirem. Tu percebes? Se sim, explica-me.
Nunca quis pôr as coisas nestes pontos, mas tentei uma vez e tu fingiste que nada se havia passado. Nunca te contei que nessa altura chorei durante duas noites, que estava a dois passos das porta do comboio para ir ter contigo e olhar-te nos olhos. Nunca te contei que tenho uma foto tua na minha mesa de cabeceira. Nunca te contei tantas outras coisas e não foi por não querer contar, foi porque tu nunca quiseste saber.
Outrora eu escrevia a pedir que alguém te contasse que estou apaixonada por ti, hoje eu escrevo porque quero que alguém te conte que preciso que saias da minha vida.
Custa, custa mesmo. Dói, claro que dói. Mas toda a dor é passageira. Tento recapitular esta frase na minha cabeça sempre que sinto que estou prestes a ir abaixo e acredita, isso tem acontecido com tanta frequência!
Todas as vezes em que eu tento afastar-me tu apareces e ages como se fosses de facto um príncipe. Porém, sempre que eu preciso de ti e de todo o teu carinho, tu foges, desapareces, não estás lá para mim, não sabes como me sinto. Que jogo monótono! Apareces tão perfeito e partes sempre mais um pouco deste coração que só te guarda a ti dentro dele. Não vamos dar mais oportunidade um ao outro, sabemos bem que não vai adiantar de mais nada.
Vou sentir muitas saudades. Vou chorar, ter insónias, falta de apetite, descabelar, roer-me de vontade de te ter de volta, mas tudo há de passar. Certamente que sim.
Nenhum amor justifica tantas idas e voltas. Não há tamanho possível de sentimento que justifiquem a tua falta de atenção.
Desculpa!

Com respeito,
Viktoriya K.

Sinto-me a corar e volto a sorrir.

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Fico envergonhada e com as ditas borboletas no estômago. Sorriu. Encaro-te diretamente olhos nos olhos, sinto-me a corar e volto a sorrir. Olhas-me novamente, tão perfeito, com esse jeito só teu, e fazes-me sorrir novamente, outra e outra vez.
Estou a confiar de novo. Afinal ainda sou capaz de confiar e sentir isto. Afinal ainda consigo sorrir tão sinceramente e, afinal, todos os meus sorrisos têm sido para ti e por ti.