Eu tentei, juro que tentei. Entreguei-me de todas as formas possíveis, impossíveis e existentes. Doei-me em vão, sem retorno. Fiz a ti as mais longas promessas, imaginava muitas coisas e criei um futuro para nós. Dentro de mim sempre transbordou muito de ti e o problema era que dentro de ti sempre faltou muito de mim.
Ela contra o mundo.
Ela acordava todos os dias, tomava um chá, arranjava o seu cabelo, escovava os seus dentes, escolhe a roupa, veste-se, arruma o quarto e sai. A rotina dela é essa. No caminho ela não tem remédio senão pôr um sorriso no rosto. As coisas não estão bem e ela até gostava de partilhar com alguém toda a sua dor, mas ela sabe que na verdade ninguém está realmente preocupado ou interessado nisso. Porém, é totalmente visível o cansaço nos olhos dela. Cansaço da rotina, das mesmas pessoas desinteressantes, do mundo caótico em que vivia, onde tinha que ser feliz a toda a hora. Ultimamente ela perdeu a vontade para tudo, até para viver. Nada a alegrava, nada a motivava, nada a comovia. Eu diria que ela ficou apática, pois para ela já nada importa, nenhum acontecimento a impacta, seja bom ou mau.
Maldito seja o amor!
Eu permaneci ao lado dele quando ele mais precisou. Lutei contra os meus medos só para vencer os dele. Mantive-me firme quando estava rodeada de incertezas, só para lhe transmitir segurança. Deixei de ser eu e entreguei-me a ele durante muito tempo, imenso tempo. Agora sinto-me fraca e desgasta e sabem onde ele está? Está longe. Afastou-se, incapaz de guiar-me e proteger-me.
Foi-se o tempo em que eu era feliz. Não é exagero! Eu nem consigo sorrir pelas coisas mais simples. Eu sinto que nada pode preencher este vazio dentro de mim, este desânimo. Cansei-me desta vida, das mesmas pessoas, da minha rotina e destes padrões.
Eu tentei parar para pensar nisto tudo e levar as coisas mais levemente. Não me preocupar tanto, chorar menos, amar a vida assim como ela é e acreditar nos meus sonhos; mas cada vez que eu tentava dar esse passo em frente, sempre que tentava avançar, ele fazia algo que me deitava abaixo novamente. Ele fazia o mínimo e lá estava eu novamente, abatida e sem forças.
Sempre pensei para mim que eu nunca seria o tipo de rapariga que iria escrever aqueles textos dramáticos, transbordando tristeza e solidão, mas hoje eu não tenho outro remédio, apenas engolo todas as minhas palavras e escrever o que vai dentro de mim é tudo o que me resta.
Espero que alguma força divina possa trazer de volta aquilo que vivi com ele, com a mesma intensidade, porque a única certeza que tenho hoje é que o amor dele está a diminuir e o meu, para minha desgraça, aumenta cada vez mais.
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