Perfeito Passado




Sabes quantas vezes guardei so para mim aquela dor que me torturava de um geito inesplicavelmente doloroso ? Sabes quantas vezes engoli as lagrimas so para mostrar que sou forte ? Nao sabes, nao fazes ideia. Naquela mostruosa manhã simplesmente levaste o mísero pedaço que ainda restava do meu coração, e ate mesmo esse tu jogaste ao chão e patinhaste com tamanha maldade, enquanto eu implorava que parasses, chorando. É como se as tuas palavras fossem o meu batimento cardíaco e agora que partiste e estas tão longe de mim, eu nao consigo viver. Escolheste a vida ao amor e talvez tenhas feito a escolha acertada, pois conseguiste seguir em frente como se nem houvessem marcas daquele perfeito passado que ambos tivemos, e eu ? Eu continuo aqui, fechada em quatro paredes esperando que tu voltes e que me ames como um dia disseste amar. O candeeiro aceso, o vento fazendo as cortinas do meu quarto dançar, a chávena de café que ja arrefeceu, papel, caneta e a nossa fotografia : o meu espaço, tudo aquilo que ainda me conforta, mesmo que seja deste geito tão incontrolável. Eu nao sei como conseguise obter todo este poder sobre os meus sentimentos, sobre o meu pensamente. Nao consigo imaginar como conseguiste apoderar-te de mim por todo este tempo. So queria de volta aquilo que eu era antes, mas nao propriamente o que eu era, queria de volta aquilo que eu fui contigo, aquilo a que eu chamava "nós". Queria de volta os beijos matinais, os abraços repentinos, as doces palavras que me deixavam arrepiada, vindas com aquele olhar que me seduzia cada vez mais. Queria de volta os passeios à beira-mar, os ciúmes que aparentemente eram tão estúpidos. Queria até as discussoes e as piores fases, pois mesmo aí eu sabia que havia espaço para uma reconciliação, para um pedido de desculpa, e agora ? Agora nao tenho nada, nao te tenho a ti, nao tenho o que mais preciso. Perdi-me, acabou. Mas va, já chega. Volta para aqui, volta para mim, para o teu espaço. Voltas ? Ok, não faz mal, eu espero na mesma.

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