1 palavra, outra desilusão.

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Deixa-me falar. Deixa-me contar-te uma história de amor. Deixa-me contar-te a nossa história de amor. Em tempos que já lá vão, nutríamos sentimentos incondicionais um pelo outro. Num passado ainda tão presente fizemos juras eternas e prometemos cumprir todas as nossas promessas. Passamos noites admirando o céu, comíamos amor às colheres, nada nos faltava. Existiamos apenas nós, unidos por um fio de paixão, amarrados aos nossos olhares, presos ao calor dos nossos corpos, como se nada mais houvesse depois daquele toque suava dos teus lábios nos meus, seguidos daqueles arrepios inexplicaveis. Nos criamos o nosso mundo e dizias que eu era a tua estrela. Era algo que apenas nós conseguiamos entender.
Num monstruoso pôr do sol decidiste acabar com tudo aquilo que fora tão perfeito e, simplesmente, despediste-te de mim de um jeito tão rude, com uma incaracterizável facilidade, como se para ti fosse algo completamente normal. Fizeste daquela noite de lua cheia a pior noite da minha vida. Fizeste nascer em mim um novo alguém, alguém feliz e realizado, e de repente, num abrir e fechar de olhos, destruíste tudo. Fizeste de mim uma vagabunda solitária. Levaste contigo o que de mais belo restava em mim e, com esse sorriso irónico, despedaçaste o que restava do meu coração.
O tempo passou e eu continuo aqui sentada, neste canto da praia onde, outrora, estavas comigo. Ainda espero por ti. Ainda espero, ingenuamente, que tudo volte ao que era. Voltas ? Pronto, como queiras.

Perfeito Passado

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Sabes quantas vezes guardei so para mim aquela dor que me torturava de um geito inesplicavelmente doloroso ? Sabes quantas vezes engoli as lagrimas so para mostrar que sou forte ? Nao sabes, nao fazes ideia. Naquela mostruosa manhã simplesmente levaste o mísero pedaço que ainda restava do meu coração, e ate mesmo esse tu jogaste ao chão e patinhaste com tamanha maldade, enquanto eu implorava que parasses, chorando. É como se as tuas palavras fossem o meu batimento cardíaco e agora que partiste e estas tão longe de mim, eu nao consigo viver. Escolheste a vida ao amor e talvez tenhas feito a escolha acertada, pois conseguiste seguir em frente como se nem houvessem marcas daquele perfeito passado que ambos tivemos, e eu ? Eu continuo aqui, fechada em quatro paredes esperando que tu voltes e que me ames como um dia disseste amar. O candeeiro aceso, o vento fazendo as cortinas do meu quarto dançar, a chávena de café que ja arrefeceu, papel, caneta e a nossa fotografia : o meu espaço, tudo aquilo que ainda me conforta, mesmo que seja deste geito tão incontrolável. Eu nao sei como conseguise obter todo este poder sobre os meus sentimentos, sobre o meu pensamente. Nao consigo imaginar como conseguiste apoderar-te de mim por todo este tempo. So queria de volta aquilo que eu era antes, mas nao propriamente o que eu era, queria de volta aquilo que eu fui contigo, aquilo a que eu chamava "nós". Queria de volta os beijos matinais, os abraços repentinos, as doces palavras que me deixavam arrepiada, vindas com aquele olhar que me seduzia cada vez mais. Queria de volta os passeios à beira-mar, os ciúmes que aparentemente eram tão estúpidos. Queria até as discussoes e as piores fases, pois mesmo aí eu sabia que havia espaço para uma reconciliação, para um pedido de desculpa, e agora ? Agora nao tenho nada, nao te tenho a ti, nao tenho o que mais preciso. Perdi-me, acabou. Mas va, já chega. Volta para aqui, volta para mim, para o teu espaço. Voltas ? Ok, não faz mal, eu espero na mesma.