Podia chamar-lhe "desabafo".

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Arriscar era mesmo necessário. Sentir o sabor de um novo beijo, ouvir um novo sussurro ao ouvido e mergulhar num novo perfume. Repetir a dose quantas vezes fosse preciso; arriscar sempre e nunca se arrepender.
Arriscar era mesmo necessário nem que fosse para matar o desejo e livrar-se da confusão na minha cabeça. Permitir-se. Entregar-se. Chorar novamente, se assim for necessário. Mas arriscar, porque se não arriscarmos tudo segue um plano monótono e vira rotina.

É impossível, disse o orgulho. É arriscado, disse a experiência. É inútil, disse a razão. Dá nem que seja uma única oportunidade, sussurrou o coração.



O pior pesadelo.

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Tanta coisa acontece que eu não consigo nem considerar se devo chorar ou continuar a sorrir. É uma confusão danada e parece que cada vez me abala mais e quanto mais eu me esforço para ser forte, mais a minha vida se desmorona. E eu choro porque chorar não é um erro. Choro porque só eu sei como é doloroso guardar tantos sentimentos dentro de mim e ver que todos lá fora continuam dizendo que sou fraca, sem imaginarem quão é difícil escrever histórias entre um rabisco e outro, em folhas amachucadas e que depois acabarão por servir apenas para deitar na fogueira.
Ninguém sabe como é morrer no meio da multidão e continuar vivendo. Sorrir e fechar os olhos para impedir que as lágrimas apareçam. Olhar-se ao espelho e querer vomitar ao ver o seu próprio reflexo. Ninguém sabe como é sentir-se um grande nada, sem tão só um abraço nem que seja simples. Sentir-se cansada, querer desistir da vida, despedir-se de si própria todas as noites na esperança de aquela ser a última vez que estarei acordada.
E toda a minha alma perdeu-se naquela caminho. Toda a minha paixão pela vida resumiu-se a cinzas; o tempo queimou-a. Todos os meus sonhos ficaram apenas entre as linhas do meu diário, sozinhos e vazios, quase tanto como eu.
Depois simplesmente acordo. Simplesmente. Mais um dia, mais um desafio, mais uma tentativa. Só não me perguntes como eu estou; não me faças relembrar, não me faças chorar.


— Tens de ser forte.
— Ser forte é tudo o que me resta!

Revelação Inesperada.

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Sempre há aquela pessoa que se revela mais interessante do que aquilo que aparentava. Aquela pessoa que já conhecemos há algum tempo e nunca demos conta que ela nos faz bem. Aquela pessoa que nos faz sorrir sem ela própria dar por isso, apenas age naturalmente. Aquela pessoa que enche a nossa alma quando esta se encontra totalmente perdida e vazia. Aquela pessoa que só de ouvir o nome dela já ficamos mais alegres.
(Re)conheci uma pessoa assim e ainda bem que dei essa oportunidade a mim própria. Por muita tempestade que haja dentro de mim nesta fase da minha vida, mesmo tendo sido trocada, traída, usada e gozada, consigo sorrir e afastar da minha mente todas as más ideias. Consigo manter a cabeça no sítio, sem desesperar. Consigo seguir em frente e sentir-me equilibrada.
Thanks Dudu!*


Texto sem título.

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Tinha entre quinze e vinte anos. Andava com um olhar triste, um coração meio vazio, meio cheio, e alguns trocos no bolso. Carregava grandes cicatrizes e conseguia sempre disfarçá-las com sorrisos muito bem ensaiados. Era profunda e, se me cruzasse com ela por aí, diria que andava sempre a sonhar. Um narrador observador é quase sempre alguém frustrado porque detalha tudo na perfeição, assim como jamais alguém conseguirá ser. Posto isto, declaro-me omnisciente. A menina era misteriosa para todos (palavra sem graça, sem cor e desmancha prazeres; sempre quis evitar todos os quase que me pudessem surgir pelo caminho). Ela era indecifrável.
Ela fechou os olhos durante a sua primeira queda e mesmo assim conseguiu observar tudo. Para a próxima ela ja sabe como agir e sabe que só passará pela mesma queda se não aprendeu nada com esta. O "repeat" só acontece se nós quisermos e assim é o amor. Ela estava gasta de tentar ser protagonista em histórias que nunca precisaram do papel dela. Ela esqueceu-se que é livre para se entregar quantas vezes quiser e não é por uma ter falhado que as outras irão falhar também. O livre arbítrio nunca foi errado. Ela tem de encontrar em si a força que realmente tem e aproveitar toda a inspiração que lhe invade os pensamentos antes de dormir. A menina do sorriso treinado pode finalmente ser a menina do sorriso verdadeiro.
A vida não faz o mínimo sentido se nós não sairmos da nossa zona de conforto, se não formos capazes de nos desafiarmos a nós próprios e de entrarmos em novos caminhos. É preciso viver de modo a que tudo pareça um mito. Viver, porque a nossa única certeza é que um dia tudo acaba.