Inocência revelada.

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Tu tentas fingir e para mim isso é tão inexplicável. Eu não consigo resistir. Não consigo nem fingir que resisto. Aquela loucura tomou conta de mim e parece que a cada minuto que passa quero-te mais perto de mim, mais quente, com a respiração mais ofegante, com o olhar mais intenso, com as mãos a agarrar-me... forte, louco, sem largar, sem permitir afastar-me. Rasga a minha roupa e ama-me de todas as formas. Beija-me com gosto a mel, com gosto a café, morango, baunilha, chocolate ou, se quiseres, heroína. Daquela que vicia, daquela que droga e nos faz viajar por mundos além. Não tenhas medo porque tu sabes que nós os dois é sempre a arriscar. 
Tu só me confundes cada vez mais. Chegas sem querer nada e acabas por levar tudo. Eu sinto o teu desejo em cada olhar e esse fogo a crescer. Sussurro ao teu ouvido que a noite é nossa amiga e reconheço de imediato a tua satisfação. Cada olhar é como uma ordem e nós nunca precisamos de dicas.
O teu corpo colado ao meu. O teu abraço forte. A tua respiração descontrolada. O teu beijo molhado. O tu cheiro viciante. O teu desejo desvendado... Deitemos na cama e serás só meu outra vez.


Doces memórias. Doce passado!

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Sinto-me um pouco vazia e desdobro-me para tentar entender se é melhor estar vazia ou cheia de algo que nem eu sei o que é. Todo o meu sentimento nunca coube na tinta da caneta nem num simples papel. Sempre transbordei por não saber conter-me, por não saber onde devia parar e guardar tudo para mim. Tento, hoje em dia, espremer-me para conseguir não sofrer mais de tanto ter algo em mim e acabo por ter menos do que o que preciso e não consigo nem escrever uma única frase aceitável.
Tudo o que me resta é apenas a nossa fotografia e tu continuas a insistir que aquilo é apenas uma fotografia. Na verdade, para mim, aquela "apenas uma fotografia" é o único restinho de esperança que eu ainda tenho, é a sensação de que, ali no papel, naquele instante e naquele lugar, nos conseguimos permanecer eternos e felizes, imponentes perante tudo aquilo que aconteceu depois do flash. Naquela fotografia nós conseguimos ser um do outro para além daquele período de tempo que estava destinado para nós e passem dez, cinquenta ou duzentos anos, ali seremos sempre nós a sorrir e a nutrir sentimentos mútuos um pelo outro.
Quando foco o meu olhar na dita fotografia, sinto uma força imensa a invadir-me e a consumir-me por dentro, como se aquela imagem fosse a razão pela qual eu sigo em frente, na certeza de que tenho coragem suficiente para ultrapassar, ver as feridas a cicatrizar e a sorrir quando lembrar-me da razão pela qual as tenho. Como se aquela imagem fosse a minha motivação para fazer a minha vida da forma como quero, realizar os meus maiores sonhos e daqui a trinta anos, quando cruzar-me contigo por aí, uma dessas ruas da nossa pequena cidade, eu poder dizer orgulhosamente "Eu estou ótima. Estou ao lado de um homem que amo muito e tenho a vida que sempre quis ter. E tu, como estás?".
Sinto-me uma criança: inundada de felicidade quando deveria ter o coração partido. Não, meu amor, este amor foi verdadeiro. As memórias boas que ficaram são mais fortes que qualquer dor ou mágoa. O que me ensinaste foi melhor do que qualquer mal que me possas ter feito.

Com amor e respeito,
a primeira rapariga da tua vida.

Um leve devaneio meu.

1 comentário:
Naqueles olhos estava escrito tudo o que o meu coração precisava de saber. Naquelas palavras encaixavam-se perfeitamente todos os meus pensamentos. Naquelas brincadeiras estava a razão pela qual me apaixonei desta forma por ele. Foi tão delirante quanto eu imaginava. O seu gosto, o geito de chegar e ir embora, a forma de me tocar. Se ele soubesse o delírio que me causava, os suspiros que me tirava e quanto o meu coração batia mais rápido a cada vez que os nossos olharem encontravam-se e fixavam-se um no outro.
Ele: o rapaz que me dava o melhor abraço do planeta, que falava de um geito tão seu, que me fazia sentir raiva de propositadamente e que me trazia a paz que eu preciso e, o mais engraçado de tudo, o rapaz que olhava para mim e que apenas eu percebia o que ele queria transmitir.
É certo que todos temos um amor que não vivemos por medo ou por insegurança e o nosso é exemplo disso. Podíamos ter vivido um amor infinito, mas agora tudo isto apenas escorre pelas ruas da nossa cidade, lavado pelas chuvas e um pouco atrapalhado pelas buzinas do anoitecer a dentro.
Não estou a sofrer por ti. Não sinto vazio algum. Sinto apenas um leve devaneio por um passado que se perdeu, por um passado que nós não soubemos viver. O melhor lugar do mundo era lado a lado um do outro, pena que nenhum de nós deu conta.