Algures no mundo

2 comentários:

Hoje, quando me deito na minha cama, ainda sinto o cheiro intenso do teu irresistivel perfume, que deixavas na minha cama, por entre os lençois azul-clarinhos, quando dormias comigo. Esse cheiro ainda permanece em mim, em cada fio do meu cabelo, em cada partícula do meu cobertor e do meu pijama. Ainda me lembro daquelas manhas frias em que me trazias o café à cama e me sussurravas tao docemente ao ouvido para acordar, que aparentemente, me parecia perfeito. Recordo-me bem do dia em que tudo isso se deu como uma história do passado. O dia em que chorei e mandei-te embora, na esperança que não me ouvisses e que negasses aquela ordem ficando comigo, mas tu viraste as costas e partiste. Atravessaste aquele comprido corredor, monstruoso. Foste embora e eu vi-te, dolorosamente, a dar os últimos passos que no fundo eram contra a tua vontade. Deixaste que o orgulho te dominasse dos pés à cabeça. Abriste a porta e, de repente, paraste. Olhaste para trás e ficaste a olhar para mim, fazendo com que esse olhar atravessasse aquele tamanho corredor e chegasse a mim, arrancando do meu coração mais uma lágrima, a ultima que tu viste. Nos teus lábios decifrei um "amo-te" , que ainda no dia anterior me dizias com tanta convicção. Recordo-me bem ! Eu sei que, algures pelo mundo, ainda vagueias comigo no pensamento, pois o nosso amor era invencivel e eterno, e sempre o será, mas tudo se deu acabado ainda no instante em que fechaste a porta não olhando mais para trás. Foi o fim.

Vá, meu amor. Fica bem.

Já estava escrito nas estrelas

2 comentários:

Hoje decidi ir ate a praia passear. Decidi pensar na minha vida, no que ja vivi e em tudo o que ja me aconteceu. Olhei para o horizonte, sentei-me na areia molhada e comecei a sentir o mar a molhar os meus pés. Recuei. Tinha o olhar sempre posto em cima daquela linha ali ao fundo, tao distante, que parecia separar dois mundos completamente diferentes. O vento, ligeiramente forte, fazia os meus cabelos voarem e a brisa do mar invadia-me como um perfume maravilhoso de alguem que estava ali comigo, em pensamento.
Lembrei-me de ti naquele dado instante. Lembrei-me do amor que, em tempos que ja la vao, nutrimos um pelo outro. Recordei a confiança que tinhamos, a confiança mútua que acabou por ser quebrada, destruída por nos mesmos. Aquela confiança pela qual, no fim, caminhavamos destroçados, iludidos por um amor falso que, provavelmente, nunca existiu e que nao passou apenas de uma banal promessa de um sempre que nunca antes fora atingido por ninguem. Disseste-me que me amavas e no fim falaste-me de um sentimento horrivel ao qual eu dou uma definiçao como 'ódio'. Querias so mais uma rapariga bonita ao teu lado, por uns tempos, e fizeste nascer em mim um amor que tu nunca pensaste em corresponder. Eu ja esqueci, ja nao sinto nada, mas as palavras, as promessas, as recordações jamais sairao da minha mente.
Quando dei por mim, estava a anoitecer. Sobre aquela linha dali do fundo, poisou-se uma Lua perfeita, cheia, com um brilho tao único e que por instantes parecia acalmarme de uma forma tao inesplicável. Debrucei-me sobre a agua tao transparente e brilhante do mar e vi o reflexo de um céu estrelado, olhei para cima e deparei-me com o mais belo quadro nocturno. Era na estrela mais brilhante que estava gravada toda a nossa historia. O nosso primeiro beijo, a primeira noite, o nosso tudo e nada e até o fim, ja estava escrito nas estrelas.